terça-feira, 2 de maio de 2017

Conversa Franca entre Pentecostais - A Experiência Pentecostal no Âmbito Religioso Protestante no Brasil


 
 
 
Sou um cidadão brasileiro, nascido e criado na grande metrópole de São Paulo, filho de pais baianos, tendo já quase meus 50 anos de idade, formado em teologia, atualmente bacharelando em Direito, com experiência religiosa no âmbito pastoral do movimento pentecostal das Assembleias de Deus à cerca de 35 anos; atuando na docência em teologia há um pouco mais de 20 anos.
 
Aprendi ao longo destes anos, olhar de maneira profundamente teológica e psicológica o movimento pentecostal, tendo diferentes opiniões sobre o mesmo. Quero, nesta breve reflexão esboçar indicações, tendo como intenção a provocação científica, o despertar e o contribuir junto àqueles que analisam o movimento.
 
Em primeiro lugar, convém salientar que particularmente acredito numa revelação na Bíblia Sagrada e a tenho como Palavra de Deus para a humanidade; porém, também tenho com clareza, a compreensão de que o pentecostalismo brasileiro é detentor de uma história religiosa, cuja diversidade é de extrema complexidade. Sendo que, mesmo consciente da presença de um saber teológico, todavia, a minha experiência, é de que este saber ainda parece ser de difícil aceitação, porquanto, o movimento pentecostal abarca dentre seus aspectos, uma tolerância que admite a manifestação de uma  linguagem não cadenciada pela teologia em si, mas, sua força motriz ainda tem grande concentração na mística de um grupo mais leigo, onde se faz presente a interpretação comum e popularizada do divino ou do sagrado; embora reconheço que já existem núcleos pentecostais, cuja expressão de fé é forjada nas salas dos seminários e por isso manifestam uma linguagem mais sofisticada e que reprova as denominadas "meninices ou infantilidade espiritual". 
 
Assim, a experiência religiosa pentecostal, me parece muito mais submissa a uma tutela de autoridade advinda das massas, sendo sob estas autoridades eclesiásticas tuteladas, de sorte que se permiti que ministérios pastorais sejam delimitados pelo clamor do leigo, seja por suas ansiedades e angústias existenciais, como, pelos anseios materiais hodiernos. Por outro lado, deve-se reconhecer que este fato torna a experiência religiosa legítima em relação a um determinado contexto da  realidade humana, porquanto, responde até certo ponto às ansiedades presentes.
 
Sendo fato, igrejas multiplicam seus membros sob a força da atmosfera existencial da mística popular, e assim são remetidos a atmosfera que os conduz. Isto nos permite assimilar que a teologia avança paulatinamente no movimento pentecostal, fazendo críticas e avaliações psicológicas sérias, contudo  a velocidade do processo é lenta diante da demanda, basta levantar um senso e detectar a formação e a consciência teológica presentes no movimento pentecostal brasileiro.
 
Digo isso, por ser membro e acompanhar milhares de amigos, pastores, seminaristas, membros, etc., com os quais convivendo a cada dia, me fazem sentir a realidade das estruturas eclesiásticas e das experiências religiosas, bem como, a demanda pastoral do século XXI.
 
No cotidiano, ministrando, tanto em Igrejas, quanto nos seminários, perceptível é a falta de leitura e capacidade reflexiva por grande parte dos alunos. Observa-se em grande escala o superficial interesse de alunos no seminário teológico pela própria teologia; na verdade são ávidos por respostas prontas. A superficialidade pode ser notada, tanto mais, por parte dos membros das igrejas, não leem quase nada a respeito de sua Fé, sendo absolutamente passivos e indiferentes a racionalidade da fé cristã. Como disse Nietzsche - "Instinto de Rebanho".
 
Assim, fica notório o desafio de um teólogo pentecostal no Brasil. Este deve saber conviver dentro do movimento e distinguir as manifestações, tanto quanto,  as inclinações das emoções humanas construídas por meio da linguagem popular e delimitadas na subjetividade de cada indivíduo; ao mesmo tempo agregar a convicção de que o mistério dos dons do Espírito Santo são também manifestações reais. Importa dizer que no universo pentecostal temos manifestações dos dons do Espírito, tanto quanto, temos pessoas bem intencionadas, porém altamente sugestionadas pelo tipo de ambiente cultural e nível teológico adjacente.   
 
De sorte que, como um vulcão em erupção, muitas destas experiências estão presentes no cotidiano da religiosidade pentecostal e norteiam a fé de muitos, o resultado disso é a grande confusão  e desorientação emocional de centenas de pessoas que pertencem ao movimento.
 
 
Muitos infelizmente estão internados em sanatórios, ou sob medida de segurança, por perderem a noção da vida e da realidade, uma vez que foram expostas a um tipo de experiência religiosa emergente no universo pentecostal, universo este  carente de teologia inteligente que o cadencie biblicamente e coerentemente.
 
Alguns sentem-se agredidos quando escrevemos tais fatos, ou os declaramos, no entanto, entendo que pessoas responsáveis com o próximo e que realmente se dizem pastores e líderes, são delicadamente preparados por Deus para cuidarem do Seu rebanho.
 
Ser um Pastor segundo as Escrituras, não diz respeito a ser ávido pelo lucro, bem como pelos privilégios que, entre aspas, alguns veem no universo pastoral da atualidade, antes, consiste em ter um coração segundo o coração de Deus, conceito advindo das Escrituras que fala da pureza, santidade e respeito à simplicidade do leigo e sua condição existencial.
 
Lamentamos que na perspectiva de muitos, a expressão acima representa líderes cheios de compaixão e fracos por não serem frios e explorar os simples. Disso também decorre a denúncia, de que esta é a razão do por que atualmente a verdade de Deus e Seu reino se encontrar obscura para milhões de pensadores, uma vez que muitos negam a fé bíblica por meio de suas obras.
 
 
Portanto, temos a leitura de uma experiência religiosa pentecostal intensa e variável no contexto brasileiro, como exemplo cito os Estados da Bahia e do Rio de Janeiro, onde notoriamente se percebe um movimento pentecostal que traz no seu bojo delineamentos culturais e aspectos afro-brasileiros, seja na forma de cantar e até mesmo de dançar, ou nos tipos de instrumentos advindos do ambiente do samba. etc.
 
Já em outros Estados como no Rio Grande do Sul, os aspectos se modificam, tanto quanto é notória as características de São Paulo e Belo Horizonte, onde o pentecostalismo tem suas expressões próximas e contagiadas pelo movimento gospel da década de 90 a seguir, bem como se nota que suas transformações são mais clássicas nos entornos das modernas comunidades.
 
Não obstante as demandas da complexidade cultural brasileira, evidencia-se a fusão de muitos pentecostais junto ao neopentecostalismo, suas liturgias e crenças, o que vem modificando doutrinas e expressões litúrgicas.
 
 
Há muito que se pensar no universo pentecostal brasileiro; aqui, me propus apenas escrever um aglomerado de palavras, como que indicando placas pela rodovia da experiência religiosa pentecostal no Brasil.
 
                                                                                                                                 Boa Reflexão.
 
 
 
 
 
 
 
 

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