sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A LITERATURA APOCALÍPTICA

Reflexões na Literatura Apocalíptica

 
 
 
O tipo de literatura denominado Apocalíptica tem sido alvo de estudos e reflexões nestes últimos anos, haja visto a especulação que existe sobre o fim dos tempos, ou fim da humanidade no planeta terra.

Para melhor entendermos de que se trata, inicialmente utilizo a distinção de quatro períodos da Apocalíptica proposto por Sacchi[1]:

 
a)      A primera fase apocalíptica: com seu início antes de 200 a.C.

b)     A segunda fase apocalíptica: desde 200 a.C. a 100 a.C.

c)      A terceira fase apocalíptica: desde 100 a.C. a 50 d.C.

d)     A quarta fase apocalíptica: desde 50 d.C. a 120 d.C.

 
A literatura Apocalíptica é vasta, Machado[2] cita um importante aspecto: a distinção/similaridade em relação aos gêneros literários que envolvem a apocalíptica e a mística judaica. Uma vez diferentes e facilmente distinguíveis, mas que relatam experiências religiosas semelhantes.

Collins[3], faz a distinção entre “Apocalipses Históricos” e os “Apocalipses de Viagens”. Elucidando, assim, que um apocalipse é “uma estrutura geral”, que incorpora outros gêneros literários (carta, testamento, parábola, hino, oração etc.). Por meio de um levantamento exaustivo de todos os textos que puderam ser classificados como Apocalipses, e datados com qualquer plausibilidade no período de 250 a.C – 250 d.C, procurou ver até onde podiam ser considerados como membros de um mesmo gênero.

No entanto, o estudo da estrutura geral dos Apocalipses mostrou que o gênero pode ser definido de forma mais ampla, permanecendo distinto acerca de outros tipos de literatura de revelação. As características definidoras abraçam, tanto a maneira ou forma de revelação, como do conteúdo das coisas reveladas.

Os elementos recorrentes significativos constituem um paradigma que mostra, não só as semelhanças persistentes que funcionam em todo o corpus, mas também, as variações que distinguem os diferentes subgrupos e trabalhos individuais.

Assim, as distinções são definidas por meio de um paradigma-mestre que pode ser dividido em duas seções principais:

1.      O enquadramento da revelação, e do seu conteúdo.

2.      A estrutura, que por sua vez envolve tanto a forma em que a revelação é como dos elementos finais.

O conteúdo abrange eventos históricos e escatológicos em um eixo temporal, seres de outro mundo, e lugares em um determinado eixo espacial.

A exortação direta ao destinatário no curso da revelação é rara e desempenha um papel significativo apenas em poucas obras cristãs.

 
O paradigma é como se segue: Forma de Revelação

1. Meio pelo qual a revelação é comunicada.

1.1 Revelação Visual - pode ser tanto na forma de Visões, onde o conteúdo da revelação é visto, ou Epifanias, onde a aparição do mediador é descrita.

1.2 Revelação Auditiva - geralmente esclarece o visual. Epiphanies são sempre seguidos por revelação auditiva. Eles podem ser na forma de Discurso, ininterrupto pelo mediador, ou Diálogo, onde há conversa entre o mediador e o destinatário, muitas vezes em forma de pergunta e resposta.

1.3 Jornadas além-mundo - quando o visionário percorre regiões remotas, céu, inferno ou para além do mundo normalmente acessível. Revelação no decurso de uma viagem geralmente é predominantemente visual.

1.4 Escritas, quando a revelação está contida em um documento escrito, geralmente um livro celestial.

2. Um mediador de outro mundo comunica a revelação. Muitas vezes, a mediação consiste em interpretar a visão, mas também pode assumir a forma de discurso direto, ou simplesmente de orientar o destinatário direcionando sua atenção para a revelação. O mediador é o mais frequentemente um anjo, ou, em alguns textos cristãos, o próprio Cristo.

3. O receptor humano

3.1 Pseudonimato: O destinatário é geralmente identificado como uma figura venerável do passado. Alguns apocalipses cristãos não são pseudônimos.

3.2 A disposição do destinatário observa as circunstâncias e estado emocional em que a revelação é recebida.

3.3 A reação do Receptor geralmente descreve o temor e / ou perplexidade do destinatário confrontado com a revelação.

 
Conteúdo: Eixo Temporal

4. Protologia: Questões que lidam com o início da história ou pré-história.
Teogonia (em textos gnósticos, descrevendo a origem do Pleroma) e / ou Cosmogonia (a origem do mundo).

4.1 Eventos Primordiais - que têm significado paradigmático para o restante da história (por exemplo, o pecado de Adão).

5. A história pode ser revista ou como:

5.1 lembranças explícitas do passado, ou ex-evento profecia onde a história passada é disfarçada como futuro e assim associado com as profecias escatológicas.

6. Salvação através do conhecimento do Presente - é a principal forma de salvação em textos gnósticos e os distingue significativamente de outros apocalipses.

7. Crise escatológica. Isto pode assumir a forma de Perseguição e / ou Outros transtornos escatológicos que perturbam a ordem da natureza ou da história.

8. Julgamento e / ou destruição escatológica. Esta é provocada por uma intervenção sobrenatural. Ele vem de cima.

8.1 Os pecadores - geralmente opressores; mas em textos gnósticos - o ignorante.

8.2 O mundo, ou seja, os elementos naturais.

8.3 seres de outro mundo, por exemplo, as forças de Satanás ou Belial ou outros poderes malignos.

9. A salvação escatológica é a contrapartida positiva do juízo escatológico. Como o julgamento, é sempre provocada por meios sobrenaturais. Pode envolver: transformação Cósmica, onde o mundo inteiro se renova; salvação pessoal, que pode ser parte da transformação cósmica ou pode ser independente desta. Isto, por sua vez, pode tomar a forma de Ressurreição, em forma corpórea ou outras formas de vida após a morte, por exemplo, exaltação para o céu com os anjos.

 
Conteúdo: Ordenamento do Eixo

10. Elementos do outro pode ser pessoal ou impessoal e bom ou ruim.

10.1 Regiões - são descritos principalmente nas viagens de outro mundo, mas também em listas de coisas reveladas em outros contextos. Mais uma vez eles podem ser avaliados de modo positivo ou de forma negativa. Os textos gnósticos avaliam os céus inferiores negativamente.

10.2 Seres de outro mundo, angelicais ou demoníacos.

Parênese
 
11. Parênese pelo mediador para o destinatário no curso da revelação é relativamente rara e é importante apenas em alguns apocalipses cristãos.

12. Instruções para o destinatário. Estes são distintas parênese e vêm após a revelação, como parte do quadro de conclusão: por exemplo, eles dizem o destinatário para esconder ou publicar a revelação.

13. Conclusão narrativa. Isto pode descrever o despertar ou retornar à Terra do destinatário, a partida do revelador ou as consequentes ações dos destinatários. Em alguns textos gnósticos encontramos referência à perseguição dos destinatários por causa da revelação.
 

Os apocalipses combinam também uma série de formas menores, sendo as mais importantes: 1) Panoramas da história em forma de futuro - o interesse dos apocalípticos volta-se, em primeiro lugar, para os iminentes acontecimentos escatológicos, para os horrores do tempo final e a glória do novo mundo. 2) Descrição do além - outro interesse consiste em dar ao leitor uma visão do mundo do além. Para isso se recorre a descrições de arrebatamentos visionários. Em um êxtase, o visionário passa por mudança de lugar e perambula por regiões estranhas e misteriosas na terra e no céu (Ez. 8.3ss.). Elas oferecem a oportunidade de transmitir conhecimentos sobre a topografia do céu e do inferno, sobre hierarquia dos anjos, etc. 3) Visões da sala do trono - ponto alto dessas viagens, seu alvo, mas às vezes também seu desenlace, é a visão da sala do trono de Deus. Sua descrição tem por objetivo mostrar sua inacessibilidade de Deus e documentar, simultaneamente, a competência do visionário que remonta diretamente a Deus, o qual recebe nessas audiências uma missão especial e ao qual se confere um status especial. (Atos 9. 10,11; 10.10,11; 26,19). As visões da sala do trono formam um elo intermediário entre visão de convocação dos profetas (cf. Is. 6; Ez. 1ss.) e da posterior mística merkaba (carruagem divina) judaica[4].

 
Assim, para melhores esclarecimentos recorremos a Vielhauer, que a semelhança de Collins, nos deixa viva a abrangência e relevância da literatura apocalíptica. Identificando nas visões da sala do trono a formação de um elo intermediário entre a visão de convocação dos profetas e das tradições do misticismo da mercaváh, o que também é atestado por Collins.

Boa pesquisa!

 



[1] SACCHI, P. Jewish Apocalyptic and its History, Sheffield Academic Press, England, 1990 – p.110.
[2] Apud. SEGAL, Alan F. Paul The Convert: The Apostolate and Apostasy of Saul The Pharisee. New Haven/London: Yale University Press, 1990. p. 38. – Life After Death: A History of the Afterlife in the Religions of the West. New York: Doubledy, 2004.p. 410.
[3] Artigo intitulado Apocalipses Judaicos - p. 1-8. COLLINS, John J. SEMEIA 14 Apocalypse: The Morphology of a Genre. The Society of Biblical Literature, 1979.
[4] VIELHAUER, Philipp. Literatura Cristã Primitiva - Introdução ao Novo Testamento, aos Apócrifos e aos Pais Apostólicos. Ed. Academia Cristã. São Paulo, 2005 - p.517.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

AONDE BEBES? TALHA - POÇO - TANQUE OU FONTE


JOÃO - CAPs. 2 A 7 - Jesus a Fonte da Água Viva





A água é importantíssima, pois sem ela é imprescindível para a vida.


ü O corpo humano precisa de água para a sua constituição. Nosso corpo elimina uma quantidade de água todos os dias. Eliminamos água através da transpiração, pela urina, e pela respiração. Sendo assim, é necessário repor essa quantidade de água perdida. Por esse motivo sentimos sede. Ao bebermos água, estamos repondo a quantidade que foi consumida e eliminada pelo nosso organismo.
 

A água é fundamental para a vida e para a sobrevivência de todos os seres.  

É assim que o Apóstolo João entende Jesus. Assim, como a água é imperativa e singular para a sobrevivência da vida humana, assim é Jesus para a vida espiritual.

Apóstolo João possui uma maneira muito inteligente de se referir a Jesus como água, ou mais precisamente, como a fonte, cuja sede espiritual pode ser saciada plenamente.

Veja a seguinte construção narrativa dos primeiros capítulos do Evangelho de João:

 

a)  No capítulo 2Nas Bodas de Caná, havia 6 TALHAS para as “purificações” dos Judeus (observe que os ritos de purificação estão nas entrelinhas dessa narrativa – Compare João 3.25). Mas Jesus transformou a água das talhas em vinho. Portanto, ÁGUAS DAS TALHAS.

 


b)  No capítulo 4 – Jesus conversa com uma mulher Samaritana na beira do POÇO DE JACÓ e lhe oferece água da vida. Portanto, ÁGUAS DO POÇO DE JACÓ.

 
c)   No capítulo 5 – Jesus cura um paralítico no TANQUE de Betesda. Portanto, ÁGUAS DO TANQUE DE BESTEDA.


d)   No capítulo 7.37-39 – No último dia da Festa Jesus colocou-se em pé e disse:

 

E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

 
 
Aplicação:

Talhas – Poço e Tanque: São FIGURAS que reportam ao homem buscando saciar sua sede em experiências religiosas – ritos, liturgias e memórias vazias e insuficientes.



Deixemos de beber as

 

ü ÁGUAS DAS TALHAS

ü ÁGUAS DE POÇO

ü AGUAS DE TANQUE

 

JESUS CRISTO É FONTE

 
Assim, temos na leitura Bíblica sempre uma finalidade profética esclarecedora, que procura apresentar a Vontade de Deus na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, em sua sublimidade.


Jesus é a fonte que salta para a vida eterna. Caminho, Verdade e Vida.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Conversa Franca entre Pentecostais - A Experiência Pentecostal no Âmbito Religioso Protestante no Brasil


 
 
 
Sou um cidadão brasileiro, nascido e criado na grande metrópole de São Paulo, filho de pais baianos, tendo já quase meus 50 anos de idade, formado em teologia, atualmente bacharelando em Direito, com experiência religiosa no âmbito pastoral do movimento pentecostal das Assembleias de Deus à cerca de 35 anos; atuando na docência em teologia há um pouco mais de 20 anos.
 
Aprendi ao longo destes anos, olhar de maneira profundamente teológica e psicológica o movimento pentecostal, tendo diferentes opiniões sobre o mesmo. Quero, nesta breve reflexão esboçar indicações, tendo como intenção a provocação científica, o despertar e o contribuir junto àqueles que analisam o movimento.
 
Em primeiro lugar, convém salientar que particularmente acredito numa revelação na Bíblia Sagrada e a tenho como Palavra de Deus para a humanidade; porém, também tenho com clareza, a compreensão de que o pentecostalismo brasileiro é detentor de uma história religiosa, cuja diversidade é de extrema complexidade. Sendo que, mesmo consciente da presença de um saber teológico, todavia, a minha experiência, é de que este saber ainda parece ser de difícil aceitação, porquanto, o movimento pentecostal abarca dentre seus aspectos, uma tolerância que admite a manifestação de uma  linguagem não cadenciada pela teologia em si, mas, sua força motriz ainda tem grande concentração na mística de um grupo mais leigo, onde se faz presente a interpretação comum e popularizada do divino ou do sagrado; embora reconheço que já existem núcleos pentecostais, cuja expressão de fé é forjada nas salas dos seminários e por isso manifestam uma linguagem mais sofisticada e que reprova as denominadas "meninices ou infantilidade espiritual". 
 
Assim, a experiência religiosa pentecostal, me parece muito mais submissa a uma tutela de autoridade advinda das massas, sendo sob estas autoridades eclesiásticas tuteladas, de sorte que se permiti que ministérios pastorais sejam delimitados pelo clamor do leigo, seja por suas ansiedades e angústias existenciais, como, pelos anseios materiais hodiernos. Por outro lado, deve-se reconhecer que este fato torna a experiência religiosa legítima em relação a um determinado contexto da  realidade humana, porquanto, responde até certo ponto às ansiedades presentes.
 
Sendo fato, igrejas multiplicam seus membros sob a força da atmosfera existencial da mística popular, e assim são remetidos a atmosfera que os conduz. Isto nos permite assimilar que a teologia avança paulatinamente no movimento pentecostal, fazendo críticas e avaliações psicológicas sérias, contudo  a velocidade do processo é lenta diante da demanda, basta levantar um senso e detectar a formação e a consciência teológica presentes no movimento pentecostal brasileiro.
 
Digo isso, por ser membro e acompanhar milhares de amigos, pastores, seminaristas, membros, etc., com os quais convivendo a cada dia, me fazem sentir a realidade das estruturas eclesiásticas e das experiências religiosas, bem como, a demanda pastoral do século XXI.
 
No cotidiano, ministrando, tanto em Igrejas, quanto nos seminários, perceptível é a falta de leitura e capacidade reflexiva por grande parte dos alunos. Observa-se em grande escala o superficial interesse de alunos no seminário teológico pela própria teologia; na verdade são ávidos por respostas prontas. A superficialidade pode ser notada, tanto mais, por parte dos membros das igrejas, não leem quase nada a respeito de sua Fé, sendo absolutamente passivos e indiferentes a racionalidade da fé cristã. Como disse Nietzsche - "Instinto de Rebanho".
 
Assim, fica notório o desafio de um teólogo pentecostal no Brasil. Este deve saber conviver dentro do movimento e distinguir as manifestações, tanto quanto,  as inclinações das emoções humanas construídas por meio da linguagem popular e delimitadas na subjetividade de cada indivíduo; ao mesmo tempo agregar a convicção de que o mistério dos dons do Espírito Santo são também manifestações reais. Importa dizer que no universo pentecostal temos manifestações dos dons do Espírito, tanto quanto, temos pessoas bem intencionadas, porém altamente sugestionadas pelo tipo de ambiente cultural e nível teológico adjacente.   
 
De sorte que, como um vulcão em erupção, muitas destas experiências estão presentes no cotidiano da religiosidade pentecostal e norteiam a fé de muitos, o resultado disso é a grande confusão  e desorientação emocional de centenas de pessoas que pertencem ao movimento.
 
 
Muitos infelizmente estão internados em sanatórios, ou sob medida de segurança, por perderem a noção da vida e da realidade, uma vez que foram expostas a um tipo de experiência religiosa emergente no universo pentecostal, universo este  carente de teologia inteligente que o cadencie biblicamente e coerentemente.
 
Alguns sentem-se agredidos quando escrevemos tais fatos, ou os declaramos, no entanto, entendo que pessoas responsáveis com o próximo e que realmente se dizem pastores e líderes, são delicadamente preparados por Deus para cuidarem do Seu rebanho.
 
Ser um Pastor segundo as Escrituras, não diz respeito a ser ávido pelo lucro, bem como pelos privilégios que, entre aspas, alguns veem no universo pastoral da atualidade, antes, consiste em ter um coração segundo o coração de Deus, conceito advindo das Escrituras que fala da pureza, santidade e respeito à simplicidade do leigo e sua condição existencial.
 
Lamentamos que na perspectiva de muitos, a expressão acima representa líderes cheios de compaixão e fracos por não serem frios e explorar os simples. Disso também decorre a denúncia, de que esta é a razão do por que atualmente a verdade de Deus e Seu reino se encontrar obscura para milhões de pensadores, uma vez que muitos negam a fé bíblica por meio de suas obras.
 
 
Portanto, temos a leitura de uma experiência religiosa pentecostal intensa e variável no contexto brasileiro, como exemplo cito os Estados da Bahia e do Rio de Janeiro, onde notoriamente se percebe um movimento pentecostal que traz no seu bojo delineamentos culturais e aspectos afro-brasileiros, seja na forma de cantar e até mesmo de dançar, ou nos tipos de instrumentos advindos do ambiente do samba. etc.
 
Já em outros Estados como no Rio Grande do Sul, os aspectos se modificam, tanto quanto é notória as características de São Paulo e Belo Horizonte, onde o pentecostalismo tem suas expressões próximas e contagiadas pelo movimento gospel da década de 90 a seguir, bem como se nota que suas transformações são mais clássicas nos entornos das modernas comunidades.
 
Não obstante as demandas da complexidade cultural brasileira, evidencia-se a fusão de muitos pentecostais junto ao neopentecostalismo, suas liturgias e crenças, o que vem modificando doutrinas e expressões litúrgicas.
 
 
Há muito que se pensar no universo pentecostal brasileiro; aqui, me propus apenas escrever um aglomerado de palavras, como que indicando placas pela rodovia da experiência religiosa pentecostal no Brasil.
 
                                                                                                                                 Boa Reflexão.
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de abril de 2017

A Guerra na Coréia do Norte e o Sentimento Apocalíptico





O mundo se encontra extasiado diante da possibilidade de uma grande guerra acontecer. As informações são as mais diversas, difícil saber a concretude e a realidade por detrás das evidências sombrias que nos são transmitidas pela mídia.
 
As intenções dos grandes blocos político-militares que estão envolvidos nesta possível guerra nos escapam, e como o mito da caverna de Platão, resta-nos um olhar para as sombras produzidas pelo lampejo do fogo aceso a projetar-se nas paredes. Assim, a realidade não nos é latente e clara o suficiente, senão para aqueles que diretamente estão diretamente envolvidos no conflito bélico.
 
Todavia, por outro lado, existe o olhar a partir da literatura Apocalíptica procedente dos teólogos que acreditam ser o Apocalipse de João, mais do que simples história da mística judaica antiga, mas uma revelação divina que permite ter a sensibilidade da iminência de uma Nova Ordem Mundial.
 
Teólogos do mundo inteiro se debruçam a cabeceira da janela existencial lançando um olhar analítico e tecendo suas conjecturas apocalípticas. Será esta guerra o dizimar de uma grande parte da população humana que abrirá novos horizontes num mundo que tem várias de suas fontes a se esgotar.
 
Questiona-se a escassez de "Recursos" que segundo A teoria populacional malthusiana desenvolvida por Thomas Robert Malthus (17661834, um clérigo anglicano britânico, além de intelectual influente em sua época, nas áreas de economia política e demografia .
 
Malthus percebeu que o crescimento populacional entre os anos 1785 e 1790 havia dobrado, em razão do aumento da produção de alimentos, das melhores condições sanitárias e do aperfeiçoamento no combate às doenças - benefícios decorrentes da revolução industrial. Essas melhorias fizeram com que a taxa de mortalidade diminuísse e a taxa de natalidade aumentasse.
 
Preocupado com o crescimento populacional acelerado, Malthus publica, anonimamente, em 1798, An Essay on the Principle of Population, obra em que expões suas ideias e preocupações acerca do crescimento da população do planeta. Malthus alertava que a população crescia em progressã geométrica, enquanto que a produção de alimentos crescia em progressão aritmética. No limite, isso acarretaria uma drástica escassez de alimentos e, como consequência, a fome. Portanto, inevitavelmente o crescimento populacional deveria ser controlado.
 
Ainda que se tenha proposto a "Revolução Verde" a partir da década de 1970 com ciclo de inovações que se iniciou com os avanços tecnológicos do pós-guerra, e desde essa época, pesquisadores de países industrializados prometiam, através de um conjunto de técnicas, aumentar estrondosamente as produtividades agrícolas e resolver o problema da fome nos países em desenvolvimento. Mas, contraditoriamente, além de não resolver o problema da fome, aumentou a concentração fundiária e a dependência de sementes modificadas; alterou significativamente a cultura dos pequenos proprietários; promoveu a devastação de florestas; contaminou o solo e as águas; e gerou problemas de saúde para agricultores e consumidores.
 
Contudo, sabe-se que o sentimento apocalíptico toma de assalto a alma humana que vive no olho do furação, ou no centro da contextualização de crise, de sorte que, há aqueles que não se encontram nos territórios da possível guerra, e por isso não a experimentam enfaticamente, de modo que, para os mais distantes esse tipo de sentimento não lhe diz respeito, senão, lhe propondo apenas uma superficial compreensão do terror que pouco o conscientiza ou amedronta.
 
Porém, independente do sentimento apocalíptico em si e de sua real compreensão, evidencia-se no mundo atual um tipo de preocupação global, pois sabe-se que os impactos de uma guerra nas proporções que parece manifestar, o sistema global inteiro será sacudido, e certamente estruturas econômicas serão abaladas.
 
Qual será a intenção dos Grandes blocos Políticos - Militares?
 
O que está por detrás destas ameaças bélicas contra a Coréia do Norte? Será apenas derrubar um Regime radical e despótico governamental opressor?
 
Será a luta pela manifestação dos Direitos Humanos de quarta dimensão?
 
Será a Manifestação do Império do Anticristo segundo a Literatura Apocalíptica com suas perspicácia governamental manifesta no ápice da bestialidade humana 666?
 
Caro leitor, este texto é uma provocação, para que a partir destas linhas introdutórias possas refletir teologicamente; elaborar raciocínios lógicos que lhe permitam conclusões mais claras à luz dos fatos, bem como, examiná-los à luz da Palavra de Deus. 
 
 
 
 
 

terça-feira, 14 de março de 2017

A NOSSA VINHA NÃO PODE VIRAR HORTA


I REIS - CAPÍTULO 21. 1-31 - A VINHA DE NABOTE



Provérbios 24. 30-34 - “Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; e eis que toda estava cheia de cardos, e a sua superfície, coberta de urtigas, e a sua parede estava derribada. O que tendo eu visto, o considerei; e, vendo-o, recebi instrução. Um pouco de sono, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado. Assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.” Para cuidar da vinha é necessário estar Acordado / Vigilante / Atento / Desperto.


INTRODUÇÃO: (Data cerca de 560 a.C) Exílio Babilônico.

Contexto – Cap. 20 apresenta o conflito militar entre Acabe Rei de Israel e Ben-Hadade Rei da Síria + 32 reis. Entretanto, Acabe acaba poupando a Bem-Hadade o que resulta em uma repreensão por parte de um profeta do Senhor o que provoca desgosto e indignação a Acabe (20.43). observe que Deus é revelado como: DEUS DOS MONTES / DEUS DOS VALES. A interpretação se dá a partir da manifestação de Deus em diversas ocasiões, isto é, nos Montes e nos Vales – Deus atuando “em cima e em baixo” – Isto nos permite compreender que Deus está sempre presente.

Ø  Acabe tinha duas residências, uma em Samaria, residência de inverno e outra em Jezreel residência de verão, uma casa de campo em nossos dias ou praia. A vinha de Nabote era contígua à residência de Nabote. A vinha Nabote  era pequena em relação ao que Acabe possui.

O interesse pela vinha de Nabote aparece como um atenuante, um anestésico paliativo para seu desgosto e indignação. A propriedade serviria de alento para as suas aflições.

VINHA AO LADO DO PALÁCIO - Hoje, com a evolução e o progresso mundial da mídia globalizada, o mundo passou a estar ao nosso lado e da nossa casa, entrando sem pedir licença. Programas de Reality Show são sucessos por anos seguidos, nos quais a cada edição há uma nítida preocupação em forçar relacionamentos promíscuos entre os participantes, induzindo a condutas permissivas, rebaixando os padrões morais a níveis baixíssimos, expondo relações sexuais explícitas ao vivo e a cores, sem nenhum constrangimento, pudor ou respeito. O único objetivo é garantir pontos no Ibope e o lucro fácil.

 
Bem localizada (ainda que ao lado do palácio (mas não fazia parte do palácio – assim estamos no mundo, mas não somos do mundo) de Acabe e Jezabel). De certa forma tratava-se de uma propriedade importante e valorizada.

 
Aprendendo a lidar com o desgosto de nossos oponentes: Acabe e Jezabel (Rei e Rainha) representam a autoridade das potestades representam o desgosto do nosso inimigo ante nossa posição firmada nas considerações pelo Senhor e pelos nossos pais, antepassados, história de livramento, as raízes de nossa fé. A investida de Jezabel contra Nabote revela: A Natureza corrupta e temível que possuía, de sorte que, muitas se submetem a sua ordem hostilizante (Anciãos e Nobres).

 
Ø  Porém, a recusa de Nabote serviu para acrescentar ainda mais o seu descontentamento e acentuar seus dramas. (c/ 20.43 a 21.4). A Politica Secular atual manifesta o seu desgosto pelas nossas posições e pelas nossas atitudes frente o sistema mundano. Querem tomar a nossa vinha a força.

Definição em Hebraico para “horta”

yereq (yeh'-rek); (com o sentido de vacuidade de cor); propriamente, palidez. Daí, por isso, um verde amarelado de uma vegetação nova e pálida.

Parece-nos que a idéia de Acabe era cultivar um local que o distrai-se e o ocupa-se. Uma atividade de plantio de hortaliças que lhe trouxe-se alguma forma de benefício. A horta que Acabe queria plantar na  vinha de Nabote, certamente seria de plantas ornamentais, para satisfazer o seu senso de  hedonismo. Tudo que Acabe queria era uma vida de prazer. O belo e o exótico que é o deus deste século. Se não cuidarmos, Acabe invade a nossa vinha.

 
VINHA – A HERANÇA DE PARA NABOTE

 
a)       A vinha de Nabote significava: Raízes familiares preservadas, identidade, conforto, tranqüilidade, segurança – Garantia de Futuro para os próximos herdeiros.

 
b)       Eram edificadas ‘torres’, donde se podia estar de atalaia para evitar as depredações do homem ou de certos animais, como o javali das selvas e os chacais (Sl. 80.13 – Ct. 2.15 – Is. 1.8 – 5.2Mt. 21.33). Necessidade de uma Torre para vigiar a vinha.
 

Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. Preparaste-lhe lugar, e fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a terra. Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros. Ela estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio. Por que quebraste então os seus valados, de modo que todos os que passam por ela a vindimam? O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram. Salmos 80.8-13

 

E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas. Isaias 5.2
 

Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. Mateus 21.33


c)        Era permitido aos pobres fazer a respiga nas vinhas e nas searas (Lv. 19.10). Os podadores também pertenciam às classes pobres (Is. 61.5). Jezabel e Acabe queriam tirar o lugar em que os pobres tinham pelo menos alguma esperança. Tem lugar na sua vinha pra os Pobres?

d)       O preço pago por Nabote foi muito alto o que demonstra o sentido e o valor da vinha para ele (NABOTE JUNTO A SEUS FILHOS SÃO APEDREJADOS E MORTOS – II Reis 9.25).
 
e)       Objetivo de Satanás no presente século: Tomar a vinha e sua essência, para convertê-la em Horta oferecendo um colorido a alma, a vida, as emoções, removendo a verdade cristalina do evangelho. Remover o sentido da existência em Cristo onde subjaz o significado metafórico de vinha.

f)        Acabe representa exatamente aqueles que não têm qualquer compromisso com o Senhor, com a herança e com o fruto.
 
g)       O mundo também é dominado por um rei e uma rainha. O rei do mundo, Satanás e sua rainha a carne, que são inimigos ferrenhos dos servos do Senhor e daqueles que buscam a salvação em Jesus.

 
 CONCLUSÃO

1.       O texto bíblico de I Reis caps. 20 e 21 - nos transmite a grande verdade profética da justiça divina sobre o reino pecaminoso de Acabe e Jezabel. (o que representa os reinos seculares fora da vontade divina, bem como, todos aqueles que se levantam ou se posicionam como inimigos do povo de Deus.)

2.       O texto propõe que lutemos pela terra prometida (As promessas de Deus), pois, Deus é justo juiz e a voz profética não tardará em se levantar a nosso favor. Existe uma Palavra Profética pronunciada sobre as nossas vidas. Jezabel disse que Nabote era morto. Porém, o Deus de Nabote estava Vivo.

Sob a lei do Antigo Testamento, uma herança não podia ser permanentemente dada, perdida, roubada ou vendida. Ela precisava ser restaurada por um redentor ou retornar à posse do seu herdeiro por direito no ano do Jubileu. (Jubileu, no hebraico quer dizer “Sonido de trombeta”, feita do “chifre do carneiro”). Instrumento de onde se extraia uma nota musical longa e aguda. Usado para anunciar o Ano do Jubileu.

Somente o Proprietário (Redentor / Herdeiro) O toque da Trombeta na sua vinda. Aleluia!